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Família Dominicana

Comentário às Leituras Dominicais (Jan. 2023) por fr. José Nunes, op

Comentário às Leituras Dominicais (Jan. 2023)      por fr. José Nunes, op - ISTA - Instituto S. Tomás de Aquino

 
22 Janeiro – 3º Domingo do Tempo Comum - Ano A

 

A Bíblia pode ser sempre lida a vários níveis e interpretada a partir dos tempos e lugares onde é proclamada e meditada. Vem isto a propósito do versículo do trecho de Isaías hoje: «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz». Esta frase é, em primeiro lugar, uma mensagem de esperança do profeta Isaías para o seu tempo (sec. VIII a.C.), quando o reino de Israel fora invadido pelos assírios e os tempos eram de confusão, violência, trevas. Mas todos nos recordamos que esta frase nos aparece no tempo do Natal e, além disso, nos aparece no evangelho de hoje: também no tempo de Jesus as pessoas andavam nas trevas, na tristeza, na opressão política estrangeira, com problemas, com doenças, etc. E Jesus veio como verdadeira LUZ para toda a humanidade! E Ele é Luz não só para a humanidade de há dois mil anos, mas também para nós hoje, nós que vivemos tempos de atentados terroristas, injustiças, mortes de refugiados, guerras, ódios, etc. De facto, se nos guiássemos pela luz de Jesus e do seu evangelho, como seria diferente o mundo e bela a vida de todos nós…
 
Na segunda leitura, S.Paulo, estando em Éfeso e recebendo notícias desagradáveis da cidade de Corinto, escreve veementemente contra as imoralidades que ali ocorriam (mesmo dentro da comunidade cristã) e contra as divisões entre os discípulos de Cristo, os quais formavam uma espécie de partidos que se opunham entre eles. Este apelo à unidade foi importante naquele tempo e lugar, mas é-o igualmente hoje: a unidade é muito importante para ser vivida nas nossas famílias, nas nossas comunidades e/ou paróquias, na Igreja em geral (e daí o rezarmos pelo movimento ecuménico, para mais neste dia que se situa dentro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – todos os anos entre 18 e 25 de Janeiro).
 
Quanto ao evangelho, temos aqui o início da vida pública de Jesus, segundo a perspectiva e o texto de S.Mateus (cada evangelista tem um começo diferente para a actividade de Jesus). Jesus tem uma missão: pregar o reino de Deus. E que significa isso? Significa ensinar a viver com belas palavras e pensamentos profundos, significa curar doenças e realizar obras poderosas, significa rezar em comunidade nas sinagogas. E essa missão é imediatamente partilhada com outros: Jesus desafia dois pares de irmãos, pescadores de peixes, a tornarem-se «pescadores de homens», e tal missão confiada aos apóstolos é a missão da Igreja em qualquer tempo e lugar: exactamente à maneira de Jesus, vivendo em oração (liturgia), falando a mensagem da fraternidade ao mundo (evangelização), tratando dos problemas concretos da vida das pessoas (acção socio-caritativa).
16/01/2023 observações (0)

Artigo do fr. Bento Domingues, op

Artigo do fr. Bento Domingues, op - ISTA - Instituto S. Tomás de Aquino


Terra da Alegria e da Justiça

 


  
1. Tinha previsto, para esta crónica, a ressonância actual do texto do Evangelho seleccionado para a Missa deste Domingo, cheio de avisos para a escolha das lideranças de qualquer associação, religiosa ou não. Sem recorrer a todo o passado, a Igreja Católica sofre, hoje, trágicas consequências de não ter sido atenta ao que escondia o carreirismo eclesiástico, finalmente denunciado pelo Papa Francisco. As respostas prontas a um convite, para colaborar nas aventuras de um projeto novo, podem ser comandadas por desejos contrários aos inscritos no convite. O texto é de S. Mateus com paralelos nas outras narrativas evangélicas.
 
No seu retiro no deserto, Jesus tinha sido assaltado por messiânicas tentações diabólicas. Rejeitou-as radicalmente. Entretanto, tendo ouvido dizer que João fora preso, abandonou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, cidade situada à beira-mar na Galileia dos gentios.
 
A partir desse momento, Jesus começou a proclamar: convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. Procurou, entretanto, colaboradores para o seu projeto e, caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro e seu irmão André que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Desafiou-os: vinde comigo e farei de vós pescadores de homens. Deixaram imediatamente as redes e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com o seu pai, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os e eles, abandonando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram Jesus[1]. Sem entrar, agora, nos debates em torno da chamada instituição dos Doze[2], retenho a prontidão dessas respostas que, só mais tarde, revelaram os seus equívocos.
 
O Evangelho segundo S. Marcos destaca, várias vezes, que os discípulos não entendiam o Mestre. Eles procuravam precisamente o que Jesus tinha rejeitado. Quando se deu conta desse equívoco, já não podia voltar a trás. Então, passou a fazer parte dos seus trabalhos a conversão dos seus discípulos que Ele próprio tinha escolhido! Não entendiam nada do seu projecto porque estavam cegos pela busca de poder. Havia uma disputa, entre eles, quem seria o primeiro, quando Jesus tomasse o poder[3].
 
Os autores dos quatro Evangelhos insistiram que os discípulos alimentavam todos a mesma ambição. Transcrevo apenas S. Mateus: «Aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. Que queres? Ela respondeu: ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino. Resposta de Jesus: não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber? Eles responderam: podemos. Jesus confirmou: na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.
 
«Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. Jesus chamou-os e disse-lhes: Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve e o que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o vosso servo. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (por todos)»[4].
 
Não posso desenvolver o que significa e implica o contraste entre Jesus e as ambições dos seus discípulos, para a reforma da Cúria Romana e para as lideranças, locais e globais, na Igreja Católica. O Sínodo da Igreja, em preparação, indica que é uma tarefa de conversão de todas as comunidades. Infelizmente, esta ocasião, que era para dar voz e vez a todos, não foi nem está suficientemente divulgada e assumida, mesmo com o prazo alargado até 2024.
 
2. Mandaram-me um livro que considero um verdadeiro acontecimento. Tem o título desta crónica com o subtítulo A voz do Pe. Alberto Neto (Capela do Rato, 1968-1973). Na verdade, é a reedição de Padre Alberto – Testemunhos de uma voz incómoda[5].
 
Na nota de apresentação, António Marujo (14.12.2022) confessa que, «50 anos depois, o que mais impressiona ao (re)ler os textos deste livro, é a sua espantosa contemporaneidade. Ao falar sobre a Igreja Católica ou a escola, sobre a política ou a liturgia, sobre a liberdade e a participação de todos/todas na construção de tudo aquilo que a todos/todas pertence, Alberto Neto usava de uma vitalidade e uma transparência únicas: nele não havia meias palavras nem em relação a si mesmo nem sobre o poder despótico que então governava Portugal, nem sobre a Igreja e o catolicismo que ele desejava construir com todas as pessoas que o escutavam no sentido de ser um testemunho vivo de que outro mundo (é) possível».
 
Acrescenta: «Seria, por isso, uma ausência grave esquecer este livro no momento em que se celebram 50 anos de vigília pela paz que um grupo de católicos decidiu promover na Capela de Nossa Senhora da Bonança (ou Capela do Rato, então conhecida como a Capela da JEC – Juventude Escolar Católica), convidando, quem quisesse, à reflexão sobre a guerra colonial que o regime então mantinha em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, e na qual morreram inutilmente perto de 100 mil pessoas – portugueses, angolanos, guineenses, moçambicanos»[6]. Gostaria de assinar esta exactíssima apresentação.
 
Do livro, o Cristianismo ou Cristandade?[7] é um retrato do que, na altura, se estava a passar na Igreja em Portugal e dos seus movimentos: Cursos para um Mundo Melhor, Cursos para Casais, Cursos de Cristandade, que nos deixavam encantados. Depois, vem a crítica: «uma coisa é chocar, uma coisa é impressionar, uma coisa é levantar um problema (…). Uma coisa é dizer: Zaqueu desce daí que Eu hoje quero ficar em tua casa. Outra coisa é levar Zaqueu a dizer: Àqueles a quem roubei vou dar quatro vezes mais, e aos outros ainda dou metade da minha fortuna para que seja mais útil».
 
3. Fui muitas vezes convidado para intervir nos Encontros Nacionais da JEC. O Pe. Alberto Azevedo de Braga, uma autêntica instituição do Liceu Sá de Miranda e da JEC, era não só um grande amigo, como estava sempre a convidar-me para encontros e retiros de jovens e não me deixava perder os referidos Encontros Nacionais. O Pe. Alberto Neto era não só, nesses encontros, uma festa contínua, como despertava, com liberdade, a liberdade e a alegria dos outros, em relação a tudo e a todos[8].
 
Neste mesmo Domingo, faz 90 anos o grande historiador, José Mattoso. Desejo que este meu amigo continue a ajudar-nos a Levantar o Céu na Terra da Alegria e da Justiça.

 

Fr. Bento Domingues, O.P.  

22 Janeiro 2023


[1] Mt 4, 12-23; ver a importante nota s da Bíblia de Jerusalém.

[2] Mc 3, 13-19 e par.

[3] Mc 9, 30-37; Mt 18, 1-5; Lc 9, 43-48;

[4] Mc 10,35-45; Lc 22,24-27; Jo 13,1-17

[5] Texto Editora, 1989

[6] Paulinas 2022

[7] Op. Cit, pp. 171-176

[8] No dia 24 deste mês, na Biblioteca da Paróquia de S. Tomás de Aquino, às 18.30h, será apresentado este livro, promovido pelo CRC

22/01/2023 observações (0)

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Novo vídeo com o testemunho do Fr. José Nunes, OP nos 40 anos da presença dominicana em Angola (Waku-Kungo).

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